
El Cuy é o célebre personagem criado pelo quadrinista peruano Juan Acevedo. Em sua busca por representar o povo peruano, o artista encontrou na fauna local sua inspiração e deu vida ao cuy, conhecido no Brasil como porquinho da índia.


O personagem nasceu em meio ao governo militar peruano, em novembro de 1979, repleto de carga política. Em 1980, El Cuy se tornou uma tira diária e afirmou sua identificação com os movimentos populares. Ao longo do tempo outros personagens foram sendo inseridos à história, mas destacamos aqui Mariscal Videchet. Representado por um rato, ele simbolizava os militares que golpearam os países da América do Sul.
Mesmo tendo sido criado para o público adulto, El Cuy ganhou a atenção das crianças e fez com que Juan criasse quadrinhos especificamente para eles. Tendo como tema diversos momentos históricos, o personagem mantinha suas características principais de estar ao lado da justiça social e liberdade.
A partir de 2007, o quadrinista começou a ter dificuldade em encontrar periódicos que aceitassem publicar sua tira. Como alternativa, em 2008, criou um blog intitulado El Diario del Cuy, onde passou a publicar diariamente suas histórias.

Mais do que um quadrinista, Juan Acevedo é também professor e pesquisador. Ainda em 1978, publicou seu livro “Para hacer historietas”, uma das referências utilizadas por Paulo Ramos para definir quadrinhos como constituídos por uma linguagem autônoma em “A leitura dos quadrinhos”. Atualmente, segundo seu blog, Juan tem trabalhado no livro “La historia del humor gráfico em el Perú”.
Antes de encerrar este post, acho que vale destacar que o considero apenas uma introdução ao quadrinho peruano e à obra de Juan Acevedo, que tive o prazer de conhecer pessoalmente durante um congresso no Chile em 2018. Na época, adquiri e fui presenteada com meus primeiros quadrinhos do Peru, criados por um dos mais importantes quadrinistas de seu país. E depois de ler e reler algumas de suas obras, o que posso dizer é que sua temática é extremamente atual e relevante nos dias de hoje, quando discutimos censura, ditadura, golpe e perseguição aos povos indígenas nos países da América do Sul.